PRF e deputado divergem sobre atuação durante temporal de granizo em Biguaçu



Polícia afirma que fiscalização foi interrompida para ajudar moradores; parlamentar contesta versão e questiona manutenção da blitz durante a emergência

A atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante a noite de sábado (29), em Biguaçu, na Grande Florianópolis, gerou uma troca de notas entre a corporação e o gabinete do deputado estadual Sérgio Guimarães (União Brasil). O caso ocorreu enquanto equipes atendiam moradores atingidos por uma forte chuva de granizo que provocou danos em diferentes bairros do município.

A PRF afirmou que realizava, no km 193 da BR-101, uma fiscalização com foco em embriaguez ao volante. Segundo a corporação, a operação havia começado cerca de 15 minutos antes da intervenção do deputado e não houve qualquer multa aplicada por para-brisa quebrado, como teria sido sugerido em uma publicação nas redes sociais.

De acordo com a polícia, durante a fiscalização apenas dois motoristas foram flagrados em irregularidades: um dirigia sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e outro estava sem cinto de segurança.

Ainda conforme a PRF, assim que a equipe tomou conhecimento da mobilização da Defesa Civil para atender os estragos provocados pelo granizo, a fiscalização voltada à embriaguez foi suspensa. Os policiais teriam então se integrado às equipes de auxílio e ajudado na distribuição de lonas e outros materiais para moradores atingidos.

Em uma nota de resposta, o gabinete de Sérgio Guimarães afirmou que a principal questão não seria a existência ou não de uma multa por para-brisa quebrado, mas a decisão de manter uma blitz de rotina enquanto moradores enfrentavam os efeitos do temporal.

Segundo o gabinete, a equipe do deputado estava em uma área atingida pelo granizo, prestando apoio à população, quando recebeu de um motorista a informação de que havia uma fiscalização da PRF a aproximadamente 400 metros do local.

A equipe então teria ido até a fiscalização para pedir que os policiais direcionassem esforços para auxiliar as famílias afetadas. O gabinete afirma que a abordagem ocorreu com o objetivo de dialogar com os agentes e que, inicialmente, uma policial teria respondido que os agentes "não eram Defesa Civil".

Ainda segundo a versão apresentada pelo deputado, um integrante da equipe parlamentar teve os documentos solicitados por quatro policiais durante a situação. O gabinete classificou a conduta como desproporcional diante do contexto.

O deputado também contesta a afirmação de que a PRF teria suspendido espontaneamente a fiscalização após tomar conhecimento da situação. Para o gabinete, a operação teria sido encerrada somente depois da cobrança feita publicamente pela equipe.

Na primeira nota, a Superintendência da PRF em Santa Catarina classificou como falsas e distorcidas algumas informações divulgadas sobre a atuação dos agentes. A corporação afirmou que determinadas publicações teriam sido feitas de maneira sensacionalista e poderiam prejudicar a imagem da instituição.

Já o gabinete de Sérgio Guimarães afirmou que o parlamentar cumpria o papel de fiscalização atribuído ao mandato e cobrou transparência da PRF sobre a ocorrência.

O gabinete pediu que sejam divulgados os registros relacionados à abordagem, a identificação dos agentes envolvidos e informações sobre eventuais autuações realizadas naquela noite.

As duas versões concordam que houve uma fiscalização da PRF na BR-101 e que equipes de segurança também atuaram no atendimento à população atingida pelo granizo. A divergência está principalmente no momento em que a fiscalização foi encerrada e na motivação para a mudança de atuação dos policiais.

Por Redação RSC


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