Estudo analisou mais de um milhão de faixas lançadas em julho e identificou desde produções totalmente sintéticas até trabalhos que combinam IA e intervenção humana
A inteligência artificial está conquistando espaço também na produção musical. Um levantamento realizado pela plataforma SubmitHub indica que 38,5% das músicas analisadas entre os lançamentos de julho de 2026 apresentaram algum indício de uso de IA durante o processo de criação.
A pesquisa avaliou mais de um milhão de faixas com auxílio do SH Labs, ferramenta desenvolvida para identificar conteúdos de áudio possivelmente produzidos por sistemas de inteligência artificial. Do total analisado, 23,2% das músicas foram classificadas como inteiramente geradas por IA. Outros 15,3% dos lançamentos apresentaram características de uma produção híbrida, combinando elementos sintéticos com edição, modificação ou processamento humano.
Apesar dos números expressivos, a própria pesquisa chama atenção para as limitações desse tipo de identificação. Entre os artistas que tiveram músicas sinalizadas pelo sistema, 31% afirmaram não ter utilizado ferramentas de IA generativa. A divergência levanta questionamentos sobre a precisão dos detectores e a possibilidade de técnicas tradicionais de produção musical serem interpretadas incorretamente como conteúdo sintético.
O avanço dessas ferramentas também amplia a discussão sobre transparência na indústria musical. Para Jason Grishkoff, fundador da SubmitHub, identificar quando a tecnologia foi utilizada pode ajudar o próprio público a decidir se deseja ou não consumir produções criadas com auxílio de inteligência artificial.
Com ferramentas generativas cada vez mais acessíveis, o debate agora vai além da capacidade da IA de produzir músicas e passa por questões como autoria, identificação das obras e transparência com os ouvintes.
Por Redação RSC

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