Pesca da tainha por arrasto de praia é encerrada após cota ser atingida em apenas 38 dias em SC

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Decisão do governo federal provoca reação de pescadores e do Governo de Santa Catarina, que promete recorrer à Justiça para tentar reverter a medida

A temporada de pesca da tainha por arrasto de praia foi encerrada antecipadamente em Santa Catarina neste domingo (7), após os pescadores alcançarem cerca de 90% da cota estabelecida para a safra de 2026. A determinação foi anunciada pelo governo federal e interrompe uma atividade que, tradicionalmente, se estende até o fim de julho no litoral catarinense.

A safra teve início em 1º de maio e poderia seguir até 31 de dezembro, conforme prevê a legislação. No entanto, o limite de captura autorizado para a modalidade foi alcançado em apenas 38 dias. De acordo com dados oficiais, aproximadamente 1.199 toneladas de tainha foram capturadas, volume que corresponde a quase a totalidade da cota de 1.332 toneladas liberada para este ano.

Com a suspensão das atividades, os pescadores ainda têm um prazo de 24 horas para realizar o desembarque do pescado já capturado antes da interrupção definitiva da modalidade nesta temporada.

A safra deste ano foi marcada por resultados acima da média em diversas praias do estado. Neste fim de semana, uma das maiores capturas da temporada foi registrada na Praia de Quatro Ilhas, em Bombinhas, evidenciando a grande presença de cardumes na costa catarinense.

Especialistas avaliam que condições climáticas favoráveis podem ter contribuído para o desempenho da temporada. Segundo o pesquisador Caio Magnotti, do Laboratório de Piscicultura Marinha da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a ocorrência de ciclones extratropicais na região da Argentina pode ter influenciado a migração dos cardumes em direção ao litoral do Sul do Brasil.

Outras modalidades seguem autorizadas

Apesar do encerramento do arrasto de praia, outras formas de captura da tainha continuam liberadas dentro dos limites estabelecidos pelos órgãos responsáveis. As modalidades em operação contam com cotas específicas e regras próprias de fiscalização.

Entre elas estão o emalhe anilhado, exclusivo para embarcações que atuam em Santa Catarina, o emalhe costeiro de superfície, o cerco com traineiras e a pesca realizada no estuário da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul.

Setor pesqueiro reage e governo estadual anuncia ação judicial

A decisão gerou insatisfação entre pescadores artesanais, que consideram a medida prejudicial não apenas do ponto de vista econômico, mas também cultural. A pesca artesanal da tainha é uma tradição centenária nas comunidades litorâneas catarinenses e representa uma importante fonte de renda para centenas de famílias.

Diante do encerramento antecipado da safra, o Governo de Santa Catarina informou que irá buscar na Justiça a suspensão da medida adotada pelo Ministério da Pesca. A administração estadual argumenta que a atividade possui relevância histórica e social para o estado.

Como parte da mobilização, lideranças de ranchos de pesca e secretários municipais da área pesqueira da região da Amfri se reúnem nesta segunda-feira (8), em Bombinhas. O grupo pretende elaborar uma carta de apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando a revisão da decisão e a retomada da pesca por arrasto de praia ainda nesta temporada.


Por Redação RSC, com informações da NSC Total

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